sábado, 10 de maio de 2008

Inauguração de ponte em SP tem protesto por moradia e ciclovias
Ciclistas criticaram ausência das bicicletas na política de transportes municipal.Moradores de favelas da região protestaram contra remoção de famílias
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Nem tudo foi festa na manhã deste sábado (10) durante a inauguração da Ponte Octavio Frias de Oliveira, na Zona Sul de São Paulo. Ao mesmo tempo em que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) fazia seu discurso, um grupo de manifestantes gritava palavras de ordem contra a obra. Ciclistas e representantes de moradores das favelas situadas ao longo da Avenida Jornalista Roberto Marinho chegaram cedo ao evento para fazer barulho. Os adeptos da bicicletas buscavam chamar a atenção para a política de transportes na cidade, enquantos os demais criticavam a oferta de novas moradias para pessoas carentes na região. O cicloativista Thiago Benichio, um dos que adotou o apelido “Estilingão” para se referir à ponte estaiada, afirma que cerca de 80 pessoas protestaram no local. A reunião, que terminou com um piquenique no asfalto, foi organizada pela internet.Uma das críticas do grupo é de que a nova obra não atende à legislação municipal que prevê a inserção das bicicletas no sistema viário. A lei 14.266, sancionada em fevereiro de 2007 pelo prefeito Gilberto Kassab, estipula no artigo 11 que “as novas vias públicas, incluindo pontes, viadutos e túneis, devem prever espaços destinados ao acesso e circulação de bicicletas”. “É uma ponte que só privilegia o transporte que já se mostrou ineficaz na cidade, basta ver o recorde de congestionamento de ontem. Ela é um símbolo da insistência de privilegiar o que é um erro”, disse o cicloativista. Em outra das alças de acesso da ponte, no lado oposto ao dos ciclistas, estavam moradores que reclamam do custo da obra e das ações da prefeitura para retirada de moradores da região. Alguns representantes do movimento chegaram a levar faixam em que afirmam estar em curso uma "limpeza social" na região.A administração municipal afirma que, após a inauguração da ponte, continuará o projeto da Operação Urbana Água Espraiada, um conjunto de intervenções para a reurbanização de favelas na região. Iniciamente, estão previstos três conjuntos habitacionais, que vão oferecer 1016 unidades. Entretanto, os manifestantes afirmam que o déficit na região é de 8,5 mil. Nos discursos, tanto o prefeito quanto o governador ressaltaram a importância da obra para a cidade, mas reafirmaram compromisso com as obras sociais. Kassab ressaltou que o maior compromisso de seu governo são os investimentos no setor social. “Reduzimos o número de grandes obras. Por isso, selecionamos com critério as poucas obras”. O governador José Serra lembrou que a prefeitura já começou a trabalhar nos projetos e o estado irá apoiar construindo conjuntos habitacionais para os moradores das favelas na região da avenida.

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